quarta-feira, 18 de março de 2009

Tina

Na tina de lavar roupa, um negrinho se agita com a água fria.
A mãe entoa canções calmas que o vão acostumando e, com as mãos em concha, vai molhando os cabelos ralos da criança. Enquanto esfrega, balançam seios secos e pendentes.
O pequeno se diverte fazendo splashs com as mãos. A mulher o afaga emocionada, molha seu rostinho e, num cálculo do desespero, pressiona-lhe a cabeça para fundo d’água. Chora orações que aprendera com seus antepassados afundando-lhe mais a cabeça.
Um homem entra, também chora, convulsivamente:
- Acabou?
- Acabou. – respondeu-lhe a mulher.

Alexandre Cruzeiro

2 comentários:

Malu disse...

Fodáustico, psicotrópico, muito, muito bom. Dos melhores em tudo. Bjo, Ale Psicotrópico.

Alexandre Spinelli disse...

Acabou... bom pacas...
Abraço!