quarta-feira, 11 de março de 2009

"Santa Ceia"

Que eu provei o vinho doce
Me embriaguei de álcool,
De mim
Bebi da minha saliva
Cuspi diariamente teu sangue
Que também me vazava pelos poros

Do teu chão arranquei meus joelhos
Sai da aridez da tua terra
E me lancei no mar
Desconhecido
Liberta(dor)

Chorei meu sal
Das inundações das minhas trompas
Da saída a entrada
De toda água que consumia
Filtrando
O mar

E nadei,
Nadei.
Por onde eu quis
Pros mesmos lugares
Até os braços
Cansarem e me deixarem
Comendo o sal
Das minhas lágrimas.
E
Sem mais forças
Com pulmão salubre
Regurgitei mais sal
Imergi em meu mar

Acordei na praia
Na mesma superfície arenosa
Caminhei de joelhos novamente.
E pra aliviar os meus pulmões
Do fogo do pecado.
Bebi do teu sangue
que agora me era inflamável

E vieste de braços abertos
, quando engoli teu pão,
E te senti descendo na garganta
Por inteiro
Carne, sangue, unhas e pêlos.

André Ulle

2 comentários:

Giu Missel disse...

Lembro desse escrito, com carinho.
as duas vírgulas, a segurança do escrito.
é como se o tempo fosse contado através de um poema.

:)

Alexandre Spinelli disse...

Este é o André... baita poeta, com um outro belo poema, cheio de imagens, de ritmo, de força...
Abraço!